Adubos nitrogenados, comprar ou esperar?

O conflito que explodiu em 28 de fevereiro de 2026, com ataques dos EUA e Israel ao Irã culminando na morte do aiatolá Ali Khamenei, além das tragédias associadas à guerra, já desestabiliza mercados globais de fertilizantes e logística. O Oriente Médio responde por 35% das exportações mundiais de ureia (Irã com 11%) e 28% da amônia (Irã 5%).

Importando cerca de 80% do que consome, com volumes superiores a 7 milhões de toneladas anuais, o Brasil é altamente dependente da importação de ureia, Em 2025, os principais fornecedores foram Nigéria, Rússia e Catar, com forte presença de Irã e Omã (18,4% combinados), totalizando 8,2 milhões de toneladas, com preços em alta. No Brasil, a ureia no porto já gira em torno de US$ 500-550/tonelada e a amônia em US$ 220-230/tonelada.

Apesar das compras para suprir o milho safrinha já estarem praticamente consolidadas, o mercado enfrenta um cenário de cautela devido à alta dos preços para as compras de adubos nitrogenados e insumos gerais para a safra 2026/27. As importações da Nigéria, Rússia e China podem ser a alternativa de fornecimento de adubos nitrogenados para suprir a demanda agrícola, em conjunto com a sinalização da Petrobras de fornecer até 20% da necessidade agrícola total.

O Estreito de Ormuz, por onde passa 33% da ureia global, está sendo evitado pelo transporte marítimo e forçando desvios pelo Cabo da Boa Esperança, o que causa atrasos de 10 a 20 dias nas entregas e acréscimo nos fretes de 3 a 4 mil dólares /contêiner. O petróleo acima de US$ 90/barril encarece ainda mais o sistema, e Paranaguá já tem filas como na crise de 2024.

O Brasil ainda tem a sazonalidade a favor, entretanto um conflito prolongado pode pode encarecer o preço da amônia, (insumo-base dos fertilizantes nitrogenados e fosfatados), e os custos do frete marítimo. Isso eleva os custos por hectare e aumenta as relações de troca ( mede o poder de compra do produtor rural, comparando o preço do insumo com o valor recebido pelo grão), especialmente no milho e trigo.

Resta o dillema: antecipar compras para se proteger de novas restrições de oferta, ou esperar na expectativa de preços mais favoráveis.

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