A guerra no Oriente Médio parece coisa distante para quem
vive aqui no centro do Paraná, mas ela chega até a nossa lavoura e ao nosso
bolso bem mais rápido do que a gente imagina. Quando mísseis são disparados lá,
sobe a tensão nos mercados de energia e de transporte, e isso pesa direto no
custo de produzir comida no Brasil.
O Oriente Médio é hoje um mercado importante para o nosso
agronegócio: em 2025, a região comprou 12,4 bilhões de dólares em produtos do
campo brasileiro, cerca de 7,4% de tudo o que exportamos, com destaque para
milho, carne de frango, açúcar e carne bovina. O Irã, por exemplo, foi o
principal comprador de milho brasileiro, levando 22% de tudo o que exportamos
desse grão naquele ano. Quando um cliente desse porte entra em risco, o
produtor aqui passa a conviver com mais incerteza sobre preço e escoamento da
safra.
Mas talvez o ponto mais sensível para o agricultor
paranaense sejam os fertilizantes. Cerca de 15,6% dos fertilizantes
nitrogenados importados pelo Brasil vêm do Oriente Médio, e boa parte do
comércio mundial de ureia, amônia e outros insumos passa por rotas marítimas
que cruzam o Golfo Pérsico e o entorno do Canal de Suez. Se esses corredores
sofrem interrupções ou ficam mais caros por causa de seguros e fretes, o custo
do adubo sobe, apertando ainda mais uma margem que já anda estreita com juros
altos e crédito difícil.
Em resumo, a guerra lá fora entra na lavoura aqui dentro
pela porta dos insumos, do combustível e da logística. O produtor, que já lida
com clima, praga e preço, ganha mais um fator de risco que foge totalmente do
seu controle. Por isso, mais do que torcer pela paz, precisamos cobrar
políticas que incentivem planejamento de compras, uso mais eficiente de
fertilizantes, alternativas de fornecimento e investimentos em infraestrutura.
Num mundo instável, quem produz alimento não pode ficar à mercê de cada bombardeio
que acontece a milhares de quilômetros.
