A safra 2025/26 simboliza um paradoxo do agro brasileiro: a
produção cresce, mas o lucro encolhe. Em vez de celebrar apenas a supersafra, é
preciso encarar o fato de que a rentabilidade está sendo comprimida por preços
internacionais mais fracos, custos de produção em alta e uma logística mais
cara e imprevisível.
No caso da soja, o quadro é especialmente duro. Segundo o
portal de notícias Exame Agro, o lucro no Mato Grosso pode cair para cerca de
US$ 10 por hectare, o menor nível em quase 20 anos, depois de ter alcançado
algo próximo de US$ 440 por hectare em 2020/21. Ao mesmo tempo, o relatório
citado aponta que a safra 2025/26 deve enfrentar margens apertadas para o
agronegócio, com queda dos ganhos e pressão sobre o caixa do produtor.
O problema não está só no preço da “commodity”; está no
custo para produzi-la. Fertilizantes continuam pesando muito, e o Brasil
importa cerca de 85% desse insumo, o que aumenta a vulnerabilidade do produtor
a variações externas. Soma-se a isso o diesel mais caro, que encarece o frete,
a colheita e o escoamento, apertando ainda mais a conta no momento mais
sensível da safra.
A “newsletter” de 28/03/2026 do
mesmo portal acerta ao destacar que a colheita recorde de soja, perto de 179
milhões de toneladas, não resolve o principal dilema da temporada: vender muito
nem sempre significa ganhar mais. Quando a oferta cresce e o prêmio de
exportação enfraquece, o produtor recebe menos, mesmo produzindo mais. É a
velha ilusão da abundância: volume alto, margem baixa.
Esse aperto tem consequência que vai além da fazenda. Menor
rentabilidade reduz apetite por investimento, posterga compra de máquinas,
trava expansão de área e eleva o risco financeiro em regiões que operam no
limite. No fim, a safra 2025/26 mostra que o agro brasileiro segue forte em
produção, mas mais frágil em rentabilidade — e isso exige gestão, eficiência e
menos euforia.
