A Copa do Mundo costuma ser uma vitrine poderosa para o
agronegócio porque transforma consumo cotidiano em ocasião. O que mais ganha
espaço é o que cabe na reunião em torno da TV: carnes para churrasco, frios,
petiscos, laticínios e bebidas. Em 2026, a indústria já projeta altas
relevantes, o que mostra que o efeito do torneio é real, ainda que concentrado
em poucos dias e categorias.
A carne bovina é a grande beneficiada. Em anos anteriores,
redes varejistas registraram aumento de 20% nos cortes para churrasco no mês da
Copa, e em dias de jogos o salto chegou a 50% nas vendas desses cortes; em
lojas especializadas, a alta média ficou em 40% em São Paulo e acima de 60% em
outras praças, chegando a 70% na véspera e no dia seguinte aos jogos. Para
2026, a expectativa é de crescimento adicional de 10% nas vendas de carne
bovina e de pelo menos 20% nos dias de partida.
O frango e os suínos também surfam o mesmo comportamento,
mas com forte ganho em itens processados. A BRF projeta elevar em até 50% o
volume comercializado durante a Copa, na comparação com 2022, puxada por
linguiças, salames, empanados e produtos para churrasco; a Seara estima alta de
40% sobre a Copa anterior. Isso acontece porque esses produtos são mais
práticos, rendem mais por real gasto e atendem bem grupos maiores de torcedores.
As bebidas entram como complemento inevitável do encontro
esportivo. Estudos de eventos esportivos mostram que a categoria cerveja teve
crescimento de volume de 5,8% durante a Copa e mais 3% após o evento, sinal de
tração consistente. Em paralelo, itens de churrasco tiveram forte inflação
entre Copas: carne bovina subiu 78%, cortes especiais 96%, carne suína 60,7%,
linguiça 32,3%, frango 107,5%, vinagrete 120%, pão de alho 17,12% e farofa 62%.
Isso não mede vendas, mas ajuda a explicar por que esses produtos ficam no
centro da decisão de compra.
A Copa acaba antecipando compras e aumentando o ticket
médio. O maior benefício vai para produtos de alto giro, preparo rápido e
consumo coletivo, especialmente carnes, embutidos, cerveja e acompanhamentos de
churrasco. Em termos de agronegócio, é o momento em que o campo entra na sala
de estar e converte emoção em venda.
