A cota da China para a carne bovina brasileira está deixando
de ser um detalhe comercial para virar um aviso ao setor. Quando esse limite se
esgota, o que se revela não é apenas uma mudança de tarifa, mas a dependência
do nosso principal mercado externo. E dependência, no agronegócio, costuma
cobrar caro.
No curto prazo, a pressão recai sobre os frigoríficos. Com
menos espaço para embarcar nas condições mais favoráveis, a indústria tende a
rever ritmo de compras, ajustar escala de abate e recalcular margens. O boi
gordo sente essa mudança quase de imediato, porque o preço na fazenda responde
ao apetite do comprador. Se a exportação perde fôlego, a cadeia toda
desacelera.
O risco maior, porém, é estrutural. A China se tornou o eixo
em torno do qual muita coisa passou a girar: produção, logística, preço e
estratégia comercial. Isso funciona enquanto a demanda cresce e a regra é
previsível. Mas basta a cota apertar, a fiscalização mudar ou a compra recuar
para expor a vulnerabilidade de um modelo concentrado demais.
Há quem diga que o impacto será compensado por outros
destinos. Em parte, sim. O Brasil tem qualidade, escala e competitividade. Mas
substituir a China exige tempo, negociação sanitária, abertura de mercado e
construção de relacionamento. Não se troca um comprador desse tamanho por
decreto nem por esperança.
Por isso, o esgotamento da cota deveria ser tratado menos
como um susto e mais como uma lição. A pecuária brasileira precisa vender mais
inteligência comercial e menos dependência. Precisa diversificar destinos,
agregar valor e investir em previsibilidade. O país já provou que sabe produzir
carne em quantidade. Agora precisa provar que sabe fazê-lo com estratégia.
Se a China fecha a porta da cota, o Brasil não deve bater no
vidro. Deve abrir outras portas, com mais planejamento, mais mercado e menos
ilusão.
*Feito com o auxílio da Perplexity IA
